quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Metafísica de um Blog (ou Como é Fácil Falar)

Como é fácil falar. Foi há mais de um ano, provavelmente, que pela primeira vez alguém comentou: “Cara, vamos fazer um blog”. Quem foi não interessa. O reflexo de ter uma idéia e, a partir dela, articular algumas palavras é provavelmente inato. Mas, deste momento em diante, pôr a idéia em prática pareceu extremamente penoso. A inércia que se seguiu não têm explicação lógica. Não foi por falta de tempo, considerando que a faculdade de medicina não ocupa tanto tempo quanto muitas vezes pode parecer. Sem contar as férias e os finais de semana. Talvez fez falta a decisão: “Ok, vai ser hoje!”.
É como quando se combina alguma atividade com os amigos, verbalmente, e na hora ninguém aparece. “Bah, não sabia se estava confirmado”. “Na hora eu achei que não iria acontecer de verdade”. Ninguém falta de propósito, ou por maldade. Mas, se ninguém toma a frente de ligar para cada um algumas horas antes, ficam todos inconscientemente esperando que algum duende faça isso.
É muito fácil falar. Por experiência pessoal, de gringo que fala muito mais do que devia, e em volume bastante inconveniente. Quantas coisas eu já não prometi fazer e que duraram os minutos suficientes para seu arquivamento mental.
Mesmo depois que, após alguma hecatombe monumental, o blog estava prestes a se tornar realidade, apareceu um problema: o nome. Essa é uma parte importantíssima, afinal um nome mal escolhido pode tirar o interesse de qualquer um. Parece uma coisa pequena, é só digitar um nome clicar. “Você está a um passo de criar seu blog”. Durou pelo menos seis meses o vai-não-vai, várias idéias foram descartadas pelo próprio blogspot (graças a bloguistas efêmeros que esperamos não nos tornar). Finalmente um nome legal e inédito. E, pronto o blog, caixa de texto aberta na minha frente, e eu acabo esquecendo todas as idéias e escrevendo a emocionante história da criação de um blog.
O blog existe para que nós possamos viajar muito, mas sentindo como se estivéssemos fazendo algo de útil. Em resumo, espero que ele sirva exatamente para isso: vamos falar muito; não vamos fazer nada.

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